Andanças é um percurso estético e filosófico, em que o leitor passa por doze figuras – tenista, andorinha, ipê, Rio Pirapó, Sol, formiga, artesã, Nhamandu, menino, intelectual, tolo e lágrima – ao longo das quatro estações do ano. O fio condutor é Zezé, uma personagem que, à semelhança do espírito livre nietzschiano, erra pelo mundo, transformando-se nesses encontros. Cada figura carrega em gérmen a próxima.
Trata-se de um livro acessível a leitores a partir de doze anos de idade, mas que também pode instigar os mais experientes a buscar as diversas intertextualidades escondidas nas figuras.
Suelen Trevizan é mestra e doutora em Estudos Literários. Atualmente dá aulas na graduação de Letras Português da Universidade Estadual do Paraná. Além de publicar textos acadêmicos, teve poemas e contos selecionados pela Flupp (2015), pelo jornal RelevO (2016), pelo Concurso de Contos Dirce Doroti Merlin Clève (2017) e pela Biblioteca Gralha Azul (2023). Publicou o livro infantil Sikré pela ABC Projetos Culturais (2024). A narrativa poética Andanças é irmã gêmea do artigo “Escrita andarilha”: os textos nasceram simultaneamente, em resposta às provocações de Friedrich Nietzsche.
Formiga
segui a formiga. me seguiram muitas outras formigas
como eu e a primeira. nós andamos na linha.
somos contas numa linha invisível. rio correndo em fio
entre os dedos de uma velha artesã modelando [talvez zezé
daqui a pouco];
vivemos pelo toque.
as antenas tocam – tocam cheiros.
assim descobrimos florestas fantasmagóricas que caminham
sobre nossas costas. em silêncio refazemos o caminho de volta
igual às artesãs voltando do rio com o barro sobre a cabeça.
leves elas cantam. nosso silêncio quase que nos esmaga.
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