Miss Cimento é uma novela sobre a revolta, a angústia, que um trauma e outros sentimentos notadamente urbanos podem trazer. Uma ameaça antiga que espreita através da rotina, um predador que ronda as linhas desta narrativa, e da ansiedade que pontua o
pensamento das personagens, que buscam por suas ações, ora impulsivas ora controladas, compreender o redemoinho onde se encontram.
Na trama temos Beca, moça pretensamente livre, acredita ser completamente emancipada após a crise silenciosa de seu namoro. Porém essa certeza esfacela-se quando o causador de um trauma reaparece em sua frente. Isto a desequilibra e faz rebuscar laços com os poucos que a podem acolhe-la. Como Sissa, sua melhor amiga, que toma as dores de sua colega e parte para uma revanche tardia contra o agressor. Sissa declara guerra contra o “homem-mau”, imbuída de uma certeza que agora falta a Beca, e leva à cabo seu plano.
Ale Pesavento nasceu em Curitiba em 1992, cidade em que vive até hoje. É designer gráfico e diagramador. Estudou design na UTFPR e atualmente é licenciando em Letras-Italiano pela UFPR. Miss Cimento é sua primeira publicação.
“Ela não assume, mas está toda remendada. Ela se faz de forte, reprime o que quer que seja de baixo-astral interno. Diz ela que é uma âncora, fez questão de tatuar uma no pulso, borrada por sinal, para corroborar com a narrativa de que é resiliente (além de alguma conotação familiar fugidia e sem nexo). Se ela é, ele não teve provas.”
“Mas essa sequência de jóia e tranquilidade foi interrompida por um pé. Seu próprio pé, que teve que esticar ao máximo para segurar a porta do elevador e assim deixar um vizinho entrar. E, uma vez dentro daquela caixa, a fez encarar seu passado, não o recente e superado, mas o distante e dolorido, adormecido mas ameaçador. Uma quimera que parecia ter desistido de atormentá-la, e mesmo assim mandava recados periódicos de sua existência. Ela reconheceu, naquele senhor alto, magro, com o rosto marcado com rugas profundas nas bochechas, evidenciando ainda mais sua magreza, sua hidra.”
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