Colhendo Tâmaras é um conto que nasce de um momento profundamente turbulento na vida da autora, em que escrever era uma aposta entre a sobrevivência e o fim. Inspirada no ditado “quem planta tâmaras não colhe tâmaras”, o texto se constrói como um borrão — de memória, linguagem e identidade. Carregado de repetições, erros e desvios, ele se recusa à perfeição para afirmar uma escrita atravessada pelo sofrimento psíquico e por uma subjetividade que escapa à representação. A narrativa conta com dois finais: um, escrito em estado de mania; outro, mais racional, como uma reconciliação com o passado. Entre o delírio e a lucidez, a autora explora o que significa ser uma abstração do ser — um borrão de tinta em uma impressão perfeita. No fim, as tâmaras não são colhidas — e essa ausência, paradoxalmente, é o que permanece.
Clarice Rin Yamahuti é uma autora transfeminina, sáfica e amarela, cuja trajetória pessoal e intelectual atravessa os limites entre
corpo, linguagem e existência. Psicóloga de formação, pesquisou com profundidade o gênero e a transgeneridade durante a graduação. Atualmente, é mestranda, com foco na vivência transgênera e sua permanência por meio da arte. Acredita que a arte é a linguagem mais potente para expressar as corpas travestigêneres, cuja complexidade escapa às lógicas tradicionais da linguagem. Em sua produção artística, Clarice trabalha o desejo como forma de afirmação e criação, transformando o que é reprimido em potência estética e existencial.
“Deixo claro que,
Se não terminei este livro
Eu nunca me encontrei.”
“Um dia a encontrei.
Nos outros dias estava varrendo a areia do chão, como sempre fazia.
Seu trabalho era exaustivo, eu imagino. Ela varria de um lado o
vento soprava para o outro, e quando varria do outro o vento soprava
de volta. Mas ela continuava ali, varrendo a areia, todos os dias,
na esperança de um dia limpar o chão.”
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