A Pedra e as Memórias é um conto de fantasia infantojuvenil que fala com cuidado sobre temas delicados, como luto, gratidão, aceitação e questionamentos importantes sobre a vida e a morte.
Anteriormente publicado em formato digital, ganha agora a publicação física.
Na história, o leitor acompanha Alessandra, uma adolescente que perdeu a perspectiva de vida desde a morte do pai e que recebe um presente que pode lhe conceder qualquer desejo que ela quiser. O conto inicia com uma introdução à tal pedra e ao poder que ela tem, para então mostrar como a vida de Alessandra muda quando ela se depara com esse artefato.
Com capítulos curtos, permite uma leitura fluida, e o desenvolvimento da trama promete emoções intensas.
A frase de efeito da capa do livro, “Superar é diferente de esquecer”, é o grande aprendizado que Alessandra tirará em sua jornada. A leitura promete ser um convite para a reflexão do leitor, tratando de temas sensíveis, como o suicídio, com delicadeza e responsabilidade.
Nascida em Londrina-PR, em 2000, P.C. Filiputti começou escrevendo diários e, na adolescência, se apaixonou pelo terror gótico, estilo que reflete em sua produção artística. Além de escrever, a autora também gosta de pintar em aquarela figuras que, apesar de delicadas, transmitem desconforto. P.C. Filiputti descobriu na escrita a cura para as dores da alma e busca transparecer em seus textos a importância que a arte tem para a sua vida.

“Em casa, ela gostava de desorganizar a mesa que foi de seu pai e tirar fotos do antes e depois; gostava de fingir que sabia dançar balé clássico; tirar fotos das flores que nasciam das rachaduras de seu quintal, mas só das que estavam morrendo, porque das belas todo mundo já tirava; colocar discos de vinil ao contrário para ouvir o quanto as palavras ficavam engraçadas; ver filmes estrangeiros sem legendas.”
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“Ela ia para o lago lamacento. Era perfeito, um lago lamacento para se livrar de uma pedra feia.
Chegando, ela apertou a pedra bem forte antes de jogá-la na água, gritando:
— “Quem não sabe o que quer, se contenta com qualquer coisa”?! Eu não sei o que eu quero e não estou contente, nem com essa pedra, nem com nada! — Respirou mais fundo e continuou: — Eu não estou contente! Nem um pouquinho mesmo!
Ela não sabia de onde vinha essa raiva, mas era bom colocá-la para fora aos berros e prantos. Mas quando a pedra finalmente tocou a água, algo aconteceu: o lago lamacento se transformou em uma água cristalina cheia de peixes coloridos e belos. O limoeiro, que ficava ao lado, de seco e morto se tornou verde e deu frutos, e o mesmo aconteceu com o pé de manga que também já tinha morrido. Olhando bem, as árvores coroavam o lago, fazendo um lindo arco por cima, e a lama deu lugar à grama verde e flores amarelas e laranja por todo canto.
Algo mágico tinha acabado de acontecer.”
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“A Voz parecia ter rido com o grito.
— Você sabe, sim, não se lembrava porque nunca mais nadou depois que seu pai morreu.
— É verdade — concordou. — Você pode fazer com que ele me ensine a andar de bicicleta? Eu nunca aprendi.
— Não — respondeu a Voz agora triste. — Ele morreu, e nem A Pedra do Meu Maior Querer pode mudar isso. Tanto a morte quanto a vida são irreversíveis.
— Mentira! Se eu escolhesse morrer agora, teria revertido a vida, então você pode reverter morte.
A Voz agora gargalhou.
— Estou falando sério, você pode. Isso é magica, certo?
— Seu argumento é invalido. Se você morresse agora, não reverteria a vida, pois você já nasceu e viveu.
Alessandra bufou e jogou uma pedrinha no lago.
— Essa pedra feia não pode me dar o que eu quero — resmungou ela. — Eu quero andar de bicicleta.
— Então, ande — disse a Voz.
— Eu não sei andar de bicicleta, já disse.
— Nada te impede de aprender... A não ser que fique aqui.”
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“Como a Voz poderia falar tamanho absurdo? Essa pedra não era para dar a ela tudo o que ela desejava; ela não desejava ouvir aquilo.
— Como pôde? — perguntou ela. — Você sabe que ele é a coisa mais importante da minha vida, e agora você quer que eu o esqueça como a minha mãe fez?
— Não quero que o esqueça — começou a voz —, só disse que precisa superar isso. Superar é diferente de esquecer.
— Diferente como? Você quer que eu viva normalmente sem ele? E a saudade que eu sinto? O que eu faço com ela?
— Lide com ela, não viva ela. Também é diferente, ou você pode ficar aqui.
Alessandra estava confusa. Ficar olhando para água para sempre não era seu maior desejo; era só isso que a pedra poderia oferecer?
— Ficar aqui?
— Sim, aqui e viver com a memória do seu pai para sempre.
Isto era tão atrativo: ficar nos braços de seu pai para sempre, ouvir sua risada e rir de suas gracinhas. Viver confortável para todo o sempre ao lado dele com a certeza de que ele nunca iria embora.
— Mas tem um preço — avisou a Voz.”
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