aalípede é um apanhado de poesias que versam de forma intimista sobre a carnalidade e intensidade de se descobrir viva. é um livro dividido em duas partes: a primeira, “alípede”, estabelece diálogo com um Eu por meio de temáticas que incluem o sentir-se feminina, brincadeiras com palavras e relação com o próprio corpo. a segunda parte, "âmago", caminha até o Outro em poesias sobre amor e relações, assunto interminável.
a autora, que frequentemente utiliza ferramentas poéticas que dialogam com artes visuais, concebeu a inclusão de imagens como uma forma de proporcionar respiros visuais ao longo da leitura. mesmo com essa decisão, o convite para que as palavras despertem formas e cores na imaginação do leitor continua presente em cada verso.
valentina maciel (1996) escreve pra aprender a dizer do susto pela borboleta, mas sempre esquece a chave na porta ou o fogo ligado. traduz pra entender como o impossível é possível; revisa pra guardar beleza em folhas brancas manchadas de palavras.
é de Porto Alegre, mas mora em Brasília desde adolescente. escritora, tradutora de francês e inglês, revisora de textos e pesquisadora da área de Teoria da Tradução na Universidade de Brasília (UnB). É formada em Letras e faz mestrado na mesma universidade. é poeta no portal Fazia Poesia desde 2021; já escreveu peças de teatro que não deram certo; revisou tantos textos sobre psicanálise que finge entender Lacan e pintou inúmeras telas inacabadas. é geminiana, então nunca sabe dizer quem é ou o que vai fazer no futuro (por isso tira Tarot na lua cheia).
1. pedaço de fruto
nunca deixar
de abrir ao meio
a maciez secular
da romã e da ameixa
digo das cerejas
que o céu planta bem fundo
tão fundo quanto um útero
nunca ficar
onde eu não possa
em espanto
colher futuro
*
2. sem título
quando eu esboço pintar
quero fazer explosão debaixo d’água
implodir na atmosfera
um milhão de ventres sensoriais
estrelas glaciais ou pétalas montanhosas
quero explorar pela caverna
dos sentidos um tato primordial
indefesa errante sem luz
- quero acender as cores
e afundar-me
na urgência do primeiro
fôlego
pós-
imersão
*
3. sem título
quando está sem sal
eu retiro
como se fosse
mel
de abelha
palavras
do olhar
ou ainda
faço escavação caseira
cotidiana colorida
e acho graça juntar:
guaraná
tulipa
ametista.
*
4. shades of blue
azul te cobre
na parte que me abre.
tô falando das tardes
aquelas sem local,
sem silêncio que com alarde
consumiam o céu
azul, te lembro
toda vez que te esqueço
sem pedaços, sem tropeços
reajo aos detalhes
e desenho tons de pálido
sobre o amassado
do texto que
um dia foi nosso mundo.
*
5. chamamento arisco
queria que começasse
bem junto ao meu lado
como se fossemos uma voz só
(chama uníssono)
sempre gostei das palavras com sono
quero dizer das que encaixam na língua
como se fôssemos
uma boca só
(chama beijo)
uma força nas pernas que nunca tive
sabe a impotência de não saber ter braços?
como se tivessem me atravessado
baleias
(chama peso)
carícia e carência, muda duas letras
mas me carregam como se afogassem
como se eu pudesse satisfazer
desejos
(chama libido)
ai, cansa ser
mulher e bicho
tudo
ao mesmo tempo.
alípede é uma publicação no formato livrete. Livretes são livros compactos e charmosos, geralmente com um número reduzido de páginas, ideais para leituras rápidas e portáteis.
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