Cartas para Pessoas Brancas, de Mateus Ferreira, é uma obra de crônicas em formato epistolar que expõe o racismo estrutural e a antinegritude presentes no cotidiano brasileiro. São quatro cartas-crônicas dirigidas a figuras simbólicas da branquitude — a patroa branca da avó do narrador, uma professora branca, um amor branco e uma criança branca que ainda vai crescer —, cada uma revelando, através de memórias e relatos, como o privilégio racial atravessa relações de trabalho, afeto, educação e família. Sem suavizar a linguagem nem oferecer conforto a quem lê, o autor transforma experiências pessoais e coletivas em denúncia literária, convidando a branquitude a confrontar seus próprios silêncios e privilégios. É uma leitura que incomoda por design: o desconforto é apresentado como ferramenta necessária para o processo de reconhecimento de privilégio e responsabilidade racial. Este livro é indicado para: leitores adultos e jovens adultos interessados em literatura antirracista, crônica brasileira contemporânea e debates sobre branquitude; pessoas brancas dispostas a refletir criticamente sobre seus próprios privilégios; educadores, estudantes de ciências humanas e educação, e público em geral engajado em discussões sobre racismo estrutural no Brasil — não é necessário conhecimento prévio acadêmico sobre o tema, mas o conteúdo pode ser emocionalmente intenso.
Mateus Ferreira é pedagogo e pesquisador, mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGE/UFRJ), onde atualmente cursa o doutorado. Realizou estágio de pesquisa na University of Cambridge, aprofundando estudos sobre o movimento negro transnacional e suas articulações com a educação. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Antirracista (GEPEAR) e dedica suas pesquisas à construção de uma educação antirracista e democrática. "Cartas para Pessoas Brancas" é sua estreia literária, unindo sua trajetória acadêmica em educação e antirracismo à escrita autoral em formato de crônicas-cartas.