O livro Em Busca de Liberdade apresenta um leque de reflexões sobre nosso emocional, em submersa sensibilidade interna, com o qual nos deparamos com o passar do tempo — em vivências, sensações, pensamentos e emoções, na mais profunda e complexa compreensão de uma variedade de temas que são divulgados ao nosso Eu, em circunstâncias tão vívidas e presentes em nossas vidas.
Quando comecei a escrever os poemas que preenchem as laudas deste livro, procurei enfatizar os íntimos e mais profundos sentimentos, que, dependendo das circunstâncias, aprisionam, paralisam, advertem, entristecem, alegram e até norteiam caminhos ou decisões que impulsionarão as práticas vindouras para prosseguir e melhorar a qualidade de vida e de como se deseja continuar.
As poesias mexem com uma realidade tão nítida e presente no ser humano, mas, às vezes, despercebida pelo próprio indivíduo e por seu habitat social, simplesmente por não terem a preocupação e os cuidados motivantes, estimando a saúde corporal e psíquica do próprio eu.
Rosângela Macedo é mulher virtuosa, baiana, protagonista de uma trajetória transformadora no curso de sua vida. Sente-se feliz por ser mãe do Tássio Laenry e Miguel Fernandes, profissional e das vitórias alcançadas. Sua prioridade é pelo bem-estar individual, familiar, social e em busca da felicidade. A paixão pela poesia aflorou na adolescência quando teve acesso ao poema “Soneto de Fidelidade” de Vinicius de Morais. É Graduada em Letras pela FACE e Pós-graduação, Especialização em Ensino de Língua Portuguesa pela UCAM. Executa seu papel profissional como professora no ensino fundamental II na rede municipal. Publicou seu primeiro livro solo de poesias em 2023 pela editora Toma AÍ Um Poema. Participou da Antologia o Amor é um Grito pela TAUP em 2024. Tem inspirações poéticas no sentir, no amor, na felicidade, na saudade que faz doer a alma e na realidade vivenciada.

Sinto-me distante de quem sou,
Pareço estar perdida em pensamentos,
Ouço gritos, alguns, de alívio,
outros, não os entendo.
São tantas janelas
com muitas informações,
Viajo entre os arquivos
em busca de soluções.
Quero encontrar a conexão altruísta
que me faça transbordar
De bons sentimentos
Que preencham meu viver
De amor, alegria e esperança.
Quero deixar para trás
As gavetas da insignificância,
Aquelas que inquietam minha alma
e tiram a minha paz,
Que me deixam sem sossego,
Com medo de avançar.
Almejo encontrar o novo
que me eleve à prosperar,
Atravesso um trajeto
longo e desesperador
até chegar ao arquivo
que parecia distante,
mas alcancei com destemor.
Agora comemoro com intensidade,
Pareço transbordar de felicidade,
O despertar das boas lembranças,
fez-me priorizar a positividade
E acreditar que há esperança.
A atmosfera me sufoca,
Sinto afoguear minha alma.
Quero levantar, não consigo,
Sem forças, vulnerável, consternada.
Fico presa na fraqueza
Que aprisiona meu corpo,
Faz arder as células,
Destroçando meus ossos.
O tecido da minha pele
Está murcho e árido,
Sem rega e cuidado,
Sinto-me como o deserto,
Grito,
Choro,
Clamo por ajuda
Para sair do abismo
E sanar esse desalento
Que aprisiona meu ser.
Liberte-me desse tormento.
Em quem confiar?
Quem pode curar minh'alma?
Que está em pedaços,
Perdida,
Sem beleza,
de tão machucada.
Os olhos alheios condenam-me,
Não compreendem a situação,
Não conhecem minha história,
Tiram de mim a razão.
Me perdi no caminho de seus passos
Atravessei deserto empoeirado
Procurei oásis de aconchego,
Fui guiado pelo céu estrelado.
Sinto-me como erva
que não é regada,
À espera de bom tempo,
quando anseia por água.
Almejo a chuva que, ao cair,
Faz a erva vigorar.
Distante, ouço suas pisadas
E desejo como o rio,
em tempo de trovoada,
À espera das águas subirem
Para seguir a jornada.
Almejo força para percorrer
E fazer seu trajeto
sem os obstáculos temer.
Quero sua ousadia,
Em seu percurso, ao viajar,
Suas veias, seu curso,
Com coragem no avançar.
É tão veloz e destemido,
Com o desejo de desaguar
No sonhado destino,
No audacioso mar.
Almejo, com desejo,
Veias que reguem a pele,
Que levem os nutrientes
E percorram dentro de mim,
Contornando os obstáculos
Com teimosia sem fim.
Veias que reguem, sem restrição,
As células que se renovam
E fazem bater o coração,
Com movimento contínuo de serenidade
Que me inove ao brotar
Novas células de liberdade.
Veias que me fazem transbordar,
Molhando a pele seca,
Deixando para trás
A escassez e a dureza.
Veias que nutri o broto,
Impulsionando o florescer
Com amor, suavidade e maciez,
Eliminando o enrugado
para brilhar outra vez.
É um querer que alimentamos,
Sair do chão, sacudir a moleza,
Enfrentar as incertezas
E se apegar à decisão.
Decisão de se arrumar,
de se amar,
de liberdade.
Pegar o transporte e viajar
Elevar a autoestima,
De suspiros profundos,
Drinks suaves,
Dar a volta ao mundo.
Um roteiro que anime,
Em som de entusiasmo,
Explorar as belezas
Na fábrica da diversidade
Colecionar memórias
Com dedicação
Se não,
O tempo passa, a velhice chega
E fico aqui na mesma,
Sem tomar a decisão.