Pele de mãe pele de alma é uma catarse poética sobre a trajetória maternal da autora, que vive os atravessamentos de uma gravidez e puerpério pela primeira vez. Criando quase como uma segunda pele, num alargamento do corpo, a partir da sensação de “descascamento” - como quando sofremos queimaduras de sol na pele e depois de alguns dias entramos em processo de regeneração, levando à uma descamação da epiderme. A cada enfrentamento descama um pouco, pedaços de pele deixados nos espaços que atravessava. A cobra, quando inicia o processo de muda, principalmente quando não está cem por cento saudável, deve se esforçar para que a antiga pele ceda lugar à nova. Esticando-se, em movimentos de contração e expansão, faz com que pedaços de pele antiga comecem a ceder. Há peles sob peles sob peles, quem sabe infinitas peles. A partir de conteúdos e memórias pessoais, a autora dá voz às subjetividades de uma nova pele que surge: a pele de mãe.
Ana Letícia Villas Bôas é doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), na linha de pesquisa Linguagem, Corpo e Estética na Educação (LiCorEs), e integrante do grupo de pesquisa Labelit (UFPR/CNPq). Mestre em Artes/Teatro pela UNESPAR/FAP, com atuação nas áreas de ensino e mediação em artes, é também graduada em Teatro e graduanda em Dança pela mesma instituição. Atua como atriz, dramaturga e produtora na Sangá Cia. de Teatro, com experiências em outras companhias e escolas de Curitiba. Desde 2017, leciona teatro, dança e expressão corporal em diferentes contextos educativos e, atualmente, integra a equipe do Teatro Lala Schneider. Suas pesquisas e práticas artísticas atravessam temas como educação, artes do corpo, dança-teatro, dramaturgia e mediação artística.
Meus contornos estão borrados, suspensos, talvez irreconhecíveis. Não sei quem sou, onde estou ou para onde vou. O que virá é imprevisível. Quem virá? Quem é este que me habita? Eu não te conheço, não sei seus motivos ou intenções. Mas te sinto, te nutro, mesmo sem compreender; apesar das incertezas. As marcas que me atravessam já não são mais as mesmas, com você aqui. Tudo está diferente. Tudo está alterado. Eu me altero e o percebo fora de mim. Onde estou? Onde estamos? Caminhamos juntos até a esquina e não sei mais ser só. Você me balança e eu te balanço. De certa forma, você me borra... e eu mergulho no caos de nós dois.
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