Há um luto que não cabe em sete palmos de terra. Que começa antes da morte, cresce na infância, atravessa o corpo e encontra na linguagem sua única forma de respirar. É esse luto que Bárbara Mançanares escava em A Dança Áspera das Raízes.
Em poemas sem título e sem pressa, a autora reconstrói a perda da figura paterna através de imagens da natureza: a água que carrega e dissolve, a terra que guarda e apodrece, o sal que preserva e dói. O luto aqui não é tema, é matéria. É barro. É o princípio de tudo na composição da água.
Com uma escrita densa, sensorial e profundamente feminina, A Dança Áspera das Raízes é sobre o que permanece pulsando depois da perda: a memória ancestral, o corpo como relevo geológico, a linguagem como forma de enterrar e de fazer renascer.
Bárbara Mançanares é historiadora, poeta e bordadeira. Autora dos livros "Maio" (2018), "Cartografias do corpo que canta" (2021) e "A voz incauta da feras" (2024), foi vencedora do Prêmio Nacional Mozart Pereira Soares de Literatura (2023) na categoria melhor livro de poesia. Foi aluna do Curso Livre de Preparação de Escritores (2021) do Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e em 2024 foi selecionada no edital Rumos, do Itaú Cultural, para escrever seu primeiro romance.
A dança áspera das raízes / Bárbara Mançanares - 2025.
136 p.; 14 X 21 cm — (Selo Praga)
ISBN 978-65-985619-6-3
1. Poesia. 2. Literatura brasileira.