O Livro
Nas Asas da Poesia, de Cris Otto Sá, é um voo lírico que transcende as barreiras do tempo, do espaço e das emoções, oferecendo ao leitor a liberdade de sentir, sonhar e se reconectar consigo mesmo e com a natureza. Cada poema deste livro é um convite a percorrer caminhos de amor, saudade, esperança e descobertas, trazendo à tona a força das pequenas coisas e a imensidão do espírito humano.
Os versos exploram a busca pela liberdade — seja a liberdade de ser quem somos, de amar sem amarras, de deixar os sonhos voarem como pássaros. A autora conduz o leitor por cenários marcantes, como os manguezais, o mar e os quintais da infância, enquanto reflete sobre a simplicidade da vida e as conexões profundas que nos ligam à natureza e ao outro.
Cris Otto Sá celebra a essência de uma alma que insiste em caminhar descalça, livre para sentir as pedrinhas do caminho, para sonhar e renascer em cada amanhecer. Nas Asas da Poesia é um convite para experimentar a beleza do voo poético e o encantamento de encontrar liberdade nas palavras.
A Autora
Cris Otto Sá, mãe, veterinária, pesquisadora em agricultura familiar e agroecologia, poeta e autora dos livros Das Pedras do Caminho..., O Sentir do Passo e Para ti..., transforma pedras em arte e poesia, inspirando-se na natureza e na cultura do campo, das florestas e das águas. Sua escrita é marcada por uma profunda sensibilidade, explorando temas como a jornada da vida, a harmonia com o ambiente e a beleza dos pequenos detalhes. Vivendo entre o Brasil e Portugal, onde seus filhos residem, Cris reflete em sua obra a conexão com a terra, o mar e as relações humanas.
Alguns Poemas do Livro
Escreve-me Poema
Toma-me, poema;
escreve-me,
desvencilha-me do pensar.
Arrebenta amarras
e rouba-me o corpo,
a alma, os sentimentos;
queima qualquer resistência,
arrebata-me o coração.
Arranca lágrimas, sorrisos;
tira-me de mim.
Que nada seja meu;
tudo, teu.
Escreve-me, poema,
como quem escreve
o início e o fim
e, no meio,
me consome com sede,
fome, desejo.
E já na exaustão,
entre dores e prazeres,
me dê à luz e me devolva
desprovida de tudo
e repleta de amor.
Escreve-me...
O Folhear da Natureza
Há mulheres que folheiam a natureza
como um livro amado.
Conhecem seus mistérios e segredos.
Leem o céu, o sol, a lua, as estrelas.
Fecham os olhos para sentir
o vento no rosto,
a chuva a escorrer pela pele
e a carícia do movimento das águas.
Escutam o balançar das árvores,
o cair das folhas,
o abrir das flores
e o esparramar das sementes.
Falam com os bichos.
Exalam o cheiro da terra molhada e fértil
e brilham feito vagalumes na escuridão.
Desculpa...
Desculpa...
vim para este mundo quebrada,
desorientada,
desprovida de relógio e GPS,
me perco facilmente nas estradas,
nas cidades, no tempo e na vida.
Não sei atravessar ruas movimentadas
nem gosto de seguir roteiros,
regras e mapas.
Calcular o tempo
para fazer tudo o que quero,
uma tragédia.
Sempre acho que vai ser possível
chegar até aquela curva,
até aquele barco,
até aquela luz brilhando logo ali.
É claro que não dá.
Por isso, eu detesto o tempo
com hora marcada,
hora de chegar e de partir,
hora de trabalhar, descansar e sonhar.
Gosto mesmo é de misturar tudo,
me perder pelos caminhos,
me demorar onde meu coração saltitar.
Sim, por conta disso
já me meti em rascadas,
mas, também,
encontrei lugares e vivi
momentos incríveis
quase no apagar das luzes.
E cá entre nós,
sussurro aqui bem baixinho,
desconfio que não tenho conserto.
Vá desculpando aí.
Minha Criança
Será que te preservei com carinho,
guardei-te aqui dentro
e estás a brincar de te esconder?
Olho para mim e procuro-te,
tens de estar a saltitar
em algum lugar,
refletindo inocência no olhar,
traquinice no sorriso,
doçura no falar.
Onde estás?
Ah! Minha criança,
de joelhos na relva orvalhada,
agarrada a um bicho,
com sabor de nêsperas na boca,
cabelos esparramados
pelos braços das árvores,
será que ainda te encontro
a sonhar o mundo?
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