Poesia em Decomposição — Quando o poema apodrece, floresce
Inspirado por João Cabral de Melo Neto, este livro investiga a poesia que nasce do resto, da ruína, do que apodrece. Ao desconstruir o poema e encarar a linguagem em seu estado mais cru, a obra propõe uma escrita contaminada, crítica e viva. É um exercício de insurgência poética que vê o verso como corpo estranho, capaz de resistir, transgredir e florescer da decomposição.
Ana Carla Bellon, natural de Curitiba, cresceu em Reserva e viveu muitos anos em Ponta Grossa. É graduada em Letras pela UEPG, mestre pela UFPR e doutora pela UERJ. Trabalha principalmente como autora de materiais didáticos, além de atuar como editora, revisora e professora na educação a distância. Alterna a escrita técnica com a literária e, entre uma palavra e outra, também gosta de batucar. Atualmente vive em Guaratuba (PR), onde integra o Baque Mulher Matinhos e o Coletivo Muvuca – Mulheres na Percussão.
DOCE VIDA
E lá se vai mais um pedaço deste cristal barato.
Fosse, antes, um quartinho de ilusão.
Meus olhos de vidro,
meu teto de vidro,
toda a minha incompreensão de aço...
Minha dificuldade em formular período tradicionais.
Ah, que período este da vida, pai Saturno!
Às vezes eu queria apenas ficar suspensa no tempo, como nas músicas de Glass.
Deixar de lado a memória, a duração das coisas.
Desejo atear fogo nas reticências!
As exclamações são flechas,
uns tem uma mira melhor que outros...
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