Alguém aí sabe o nome da menor lua do gigante gasoso Júpiter?
O livro A menor lua de Júpiter é uma multifacetada expressão da poesia moderna, que mescla humor, sarcasmo, surrealismo e um universo onírico com profunda carga filosófica.
A obra se apresenta como um caleidoscópio de emoções, imagens e reflexões, onde a experimentação formal e o estilo fragmentado contribuem para a construção de uma poesia que não teme a incompletude e o caos da experiência humana. Em sua estrutura de constante fluxo e fragmentação, ela reflete a incerteza do nosso tempo, desafiando o leitor a encontrar afetos polifônicos e dissonantes em meio à imperfeição e ao absurdo.
A menor lua de Júpiter é um microcosmo sem nome que resiste em uma queda em espiral em direção ao inevitável gigante gasoso, mas que como propõe Ailton Krenak, nos oferta para-quedas coloridos ao cair.
Leonardo de Oliveira é poeta, músico, psicólogo, mestre em Psicologia Social e Institucional (UFRGS). Trabalha com pessoas em situação de rua e movimentos de luta por moradia e é autor do livro de poesias “O Ano do Elefante” publicado em 2022 (Editora Appris) e do Manifesto dos Tardígrados, de 2023 (editora Caravana). Cartografa exoplanetas e pequenos animais inventados para propor infestações baseadas em afetos, delírios, dissonâncias e fricções científicas.
Abro os olhos
Pestanas preguiçosas
Procrastino a quarta e as horas.
Subestimo os ponteiros,
Talvez se eu cegasse os minutos,
Desobservasse a posição do sol...
Outro dia acordei e tinha vinte anos,
Agora os cabelos brancos insistem,
Insistem em seus passos largos.
Golpeio o ar com verbos, como quem luta
E cansa.
(A grama cresce, posso ouvir).
Danço uma dança solo,
Viver é solitário.
Estou sempre atrasado,
Sempre estive.
Viver é estar atrasado.
Nasci um dia depois do previsto,
Talvez também morra depois do previsto, quem sabe?
E quem sabe prever?
Aproveite o dia.
Beba água.
Avisam com conselhos em conserva,
Num loop sampleado sem beat.
Eu bebo água,
Mas o agora é rápido demais,
Estou sempre dois passos atrás
Ou dois passos adiante,
E a noite insiste em se fazer manhã,
Há espaços feitos de silêncio,
Sou o pêndulo e o equilibrista.
Já passaram 20 minutos, e acho que vi outro cabelo branco.
Duas dezenas de sacos pretos na rua,
Meio fio de sangue
Valeta de lágrimas.
O Sérgio Vaz contou que mataram o menino da rua de baixo,
De novo
De novo
De novo,
E de novo.
Matam ele todo dia,
18 tiros
Sempre que tenta levantar,
Olhos, guarda-chuvas, furadeiras,
a hora errada, o enquadre.
A mão invisível do mercado,
E sua promoção de carne:
O camburão sempre foi uma câmara de gás.
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